Sala de agonia, de tristeza, de fé, de prece e, por último, sala de espera. Escrever não faz a dor do paciente passar, mas alivia a do acompanhante.
Sala de agonia, de tristeza, de fé, de prece e, por último, sala de espera. Escrever não faz a dor do paciente passar, mas alivia a do acompanhante.
Todos os dias ela passava na frente de uma lojinha de discos muito simpática- a garota mais ainda. E todos os dias ela tinha que parar e amarrar os cadarços do tênis dançante em seus pés, bem na frente da loja. Só para,por alguns instantes, pairar sob o som. Hoje ela parou e deu um nó. Um nó na garganta. Aquela música tocou a alma de que um dia já teve uma história encantada, e hoje só canta a solidão da saudade ali num canto…
Acabou. Foi sem deixar saudades, mas deixou lembranças. E arriscaria dizer que até certo encanto, num canto qualquer.
Mas o romance chegou ao fim. “Como um bom romance!”, ela concluiu na frente da televisão. “Um desses de arrancar suspiros, lágrimas e, bem, outras coisas a mais… Desses de Julieta, sabe? - perguntou para a amiga que não prestava atenção em seus devaneios- de Aurélia, de Marília, Luiza… de Capitu!”
Um romance vívido que teve cada página bem lida. Nada de príncipe encantado. Personagens reais que suportariam a realidade. Mas não o tempo.
Agora estava lá na estante, guardado. Mas sempre fechado. Tinha que ser assim para manter o coração aberto!
Uns dizem que só vivo pra ele. Outros, que sou egoísta. Nada muda: só quero o meu bem.
E ali, bem na sua mesa, o tal grilo falante intrigado: “21 anos e não fez nada genial?”.
Calma lá: minha genialidade está vindo! A cavalo, pode ser…mas alado - por que eu te garanto que imaginação tenho de sobra.
Diz, ilusão, precisava dessa outra?
Ora ela queria ser feliz para sempre, ora o encanto ficava de lado e ela queria ser real como nunca.
Admirando assim,
ora 8,
ora 80,
teve certeza do que não queria: que aquilo se invertesse.
Tinha tanto medo do ∞
“A vida em linhas tortas é…muito mais doce!”- Deduziu a menina entre seus desejos sabores morango e maçã.
só vejo o fim. muita coisa e preguiça, pouco tempo e vontade.
E amanhã já é segunda. Tem alguma outra opção aí?
Se não fosse tão impessoal, choveria e ventaria como ninguém.
Há 21 anos eu tento a sorte. Tento, tento pra valer. Mas a danada é difícil de seduzir. Isso eu percebi logo de cara, no primeiro encontro (ou desencontro), quando ela, ousada que é, sussurrou no meu ouvido que seria preciso flertar muito com a vida para subir no altar-qualquer que fosse.
E é assim que vou. Talvez a paixão tenha diminuido, mas o tesão de viver não. E a cada encontro (ou desencontro) eu aprendo mais sobre a arte de conquistar. E é nessa promiscuidade que eu digo “e que venham os 22!”
Toda mulher deveria ter o glamour da Lily Braun, a coragem da Rita, ser menos Rosa, fugir da Bárbara ou, sei lá, qualquer coisa a mais ou a menos que fizesse metade dos homens ser mais ou menos ‘chico’.
Acabou. Foi sem deixar saudades, mas deixou lembranças. E arriscaria dizer que até certo encanto, num canto qualquer.
Mas o romance chegou ao fim. “Como um bom romance!”, ela concluiu na frente da televisão. “Um desses de arrancar suspiros, lágrimas e, bem, outras coisas a mais… Desses de Julieta, sabe? - perguntou para a amiga que não prestava atenção em seus devaneios- de Aurélia, de Marília, Luiza… de Capitu!”
Um romance vívido que teve cada página bem lida. Nada de príncipe encantado. Personagens reais que suportariam a realidade. Mas não o tempo.
Agora estava lá na estante, guardado. Mas sempre fechado. Tinha que ser assim para manter o coração aberto!
Algumas escolhem muito bem, diria a dedo, os detalhes. Cada anel, cada conta do colar. Mas esquecem de escolher seus princípios e escrúpulos.
Outras, coitadas! Outras não encontram uma loja sequer que tenha peças do tamanho de seu conteúdo. Nada que caiba em suas atitudes. ‘ Será que isso não se vende?’ - pensam. Vai ver só descubram na próxima esquina.
Falando nisso, em esquinas, pobres as garotas das escolhas lá do alto. Se costumam ter um amor a cada esquina, como podem criticá-las? Minha gente, não é culpa delas! É do trânsito de Sampa, pobrezinhas. Muito carro. Carros param em cada cruzamento, em cada esquina. E, ora, além de poluição deve-se morrer de tédio?